Quando você não deve seguir seu coração

Tenho 17 anos e estou sentado no escritório da psicóloga educacional minha escola. Ela está me perguntando o que eu quero fazer com minha vida e eu não tenho ideia.

"Com o que você está realmente apaixonado?", ela pergunta. Silêncio constrangedor. O que eu quero dizer é jogar jogos de computador. Mas, eu não tenho certeza que é uma carreira. Então ela diz o seguinte: "A coisa mais importante é seguir o seu coração".

É algo que eu iria ouvir uma e outra vez ao longo dos anos – dos meus pais, conselheiros universitários e mentores. As pessoas mais inteligentes que eu conhecia ofereceram esse mesmo conselho: faça o que você ama.

Alinhar suas paixões com sua carreira faz sentido. Mas, vamos ser honestos, nem sempre é tão fácil. O verdadeiro desafio – especialmente para os futuros empresários – pode ser descobrir exatamente pelo que você está apaixonado e por que, e então, encontrar uma maneira de manter essa chama viva enquanto o resto da vida acontece ao seu redor.

Deixando o seu chamado vir até você.

Algumas pessoas nasceram sabendo que eles querem ensinar, ou dançar, ou projetar carros. Para muitos jovens empreendedores, no entanto, interesses correm em diversos sentidos, todos de uma vez, ou às vezes em nenhuma direção clara. Steve Jobs, por exemplo, vagou pela Índia, experimentou com psicodélicos e ainda se envolveu em caligrafia antes de iniciar na Apple.

Em última análise, eu me formei em negócios na faculdade, mas que acabou sendo muito abstrata para mim. Então, acabei saindo do ramo para abrir uma pizzaria quando voltei à minha cidade natal. Levei alguns anos para perceber que o que eu realmente gostava no negócio de pizza não era a pizza. Era o marketing – descobrir como ficar na cabeça das pessoas e descobrir exatamente quais promoções impulsionariam as vendas.

Paixões nem sempre vão pular em você, e isso é bom. Às vezes você tem que experimentar algumas coisas primeiro. Aconteceu que eu descobri uma paixão pelo marketing por meio de um desvio com pepperoni.

Criando a própria sorte.

Por volta dessa época, notei que as pessoas estavam fazendo muito mais dinheiro trabalhando com a Internet do que eu estava trabalhando com pizza. Eu não sabia exatamente como entrar em tecnologia, mas eu sabia que não ia acontecer na minha pequena cidade natal.

Eu vendi meu restaurante e me mudei para a cidade grande. Para um novato, a maneira mais fácil de entrar na tecnologia era pelo web design. Eu aprendi em casa sobre os conceitos básicos e fiz uns rascunhos de um portfólio. A tecnologia no final de 1990 estava tão em alta que eu consegui arranjar um emprego em uma empresa digital mesmo com quase nenhuma experiência.

Tive sorte. Mas estar no lugar certo, na hora certa, não foi apenas um acidente. Tantas histórias de sucesso parecem começar com uma ironia do destino – desde de Zuckerberg encontrar os gêmeos Winklevoss a Henry Ford começar seu primeiro emprego na Edison Illuminating Company.

O que é importante é reconhecer que os empreendedores bem-sucedidos se colocam em uma posição para ter sorte. Eles projetam seu próprio acaso.

Manter a chama acesa

Até agora, eu sabia que queria uma startup própria. Mas o meu tempo foi terrível. Em 2000 – meses depois que eu me aventurei para começar meu próprio negócio – o boom das empresas digitais fracassou. Tecnologia tornou-se um palavrão e os investidores se esquivaram de novos empreendimentos.

Mas eu me mantive conectado, pegando trabalhos suficientes para pagar as contas e lentamente crescer a minha própria empresa de desenvolvimento da web, projetando websites para empresas e construindo aplicativos de marketing. Nem sempre era emocionante, mas foi uma mão na roda – e pagou as contas.

O que eu quero dizer para os empreendedores é que eu não abandonei minhas paixões completamente. Encontrei maneiras, às vezes apenas as pequenas, para aplicar dentro da minha vida de trabalho.

A experiência de fazer uma Startup pode parecer como uma volta de foguete pra quem olha de fora, mas raramente é assim.

O seu 'trabalho' torna-se a sua paixão

Eventualmente, no entanto, você tem que mergulhar. Em 2008, minha equipe criou uma ferramenta para ajudar as empresas a gerenciar várias contas de mídia social a partir de um website – o Hootsuite. Centenas de milhares de pessoas se inscreveram nos primeiros meses. Decidi colocar tudo que eu tinha nele as custas de outros projetos que traziam boa receita.

Quase todo empresário bem-sucedido tem esse momento decisivo. Ele normalmente virá no meio de uma jornada longa e difícil – não no começo. Ao longo dos anos, as paixões reais tornam-se mais claras e as meras distrações desaparecem. Ao mesmo tempo, a capacidade crítica tem tempo para se desenvolver. Esta é a essência da regra de 10.000 horas de Malcolm Gladwell.

Mas isso raramente vem sem riscos. Fazer o que você ama nunca será fácil ou conveniente. Gerenciamento de risco é algo que os empreendedores precisam ficar muito bons – paixão pessoal acaba sendo um desses riscos. No melhor dos casos, uma espécie de alquimia acontece. O seu “trabalho” realmente se torna a sua paixão – absorvendo seus amores e interesses anteriores, acrescentando-lhes e fazendo algo ainda maior.

A área cinzenta entre o amor e a razão

Hoje, a minha ferramenta de gerenciamento de mídia social é utilizada por 11 milhões de pessoas, incluindo a maioria das 100 empresas mais ricas. A paixão de infância em jogos de computador tem um círculo completo, por assim dizer, embora não da maneira que eu poderia ter esperado.

Mas aqui está a coisa: eu não estaria aqui se eu tivesse acabado seguindo o meu coração todos esses anos atrás. Se assim fosse, eu provavelmente teria acabado estudando ciência da computação na faculdade. Eu poderia ter gostado e achado um grande trabalho. Mas estou feliz por não ter ido por esse caminho.

Em vez disso, eu entrei nessa zona cinzenta que maioria de nós vive – onde o desejo de construir a carreira dos sonhos confronta com a necessidade de ganhar dinheiro, ego e simples indecisão. Quase todo empreendedor que eu conheço passou anos difíceis nesse limbo, descobrindo exatamente o que eles amam e formas de agir nisso.

Isto não é tão romântico ou inspirador como apenas dizer "Faça o que você ama", mas é uma peça importante do conselho para os empreendedores sobre as linhas de frente: Você não pode sempre seguir seu coração, mas não desista. Onde a paixão e o pragmatismo se encontram, grandes coisas acontecem.

Free LifeStyle é um cientista que busca fazer da sua jornada uma inspiração e diversão para viver. Assim, encontrar o que realmente ama fazer será uma consequência de um caminho especial. A vontade de fazer a diferença no mundo e causar um impacto positivo é quase como uma bússola norteadora para encontrar esse grande amor.

Fonte: Entrepreneur

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