Em épocas de crise, uma nova classe: os mendigos de amor.

Mais um final de semana chega...

Já passa das 20h. Ana continua ali olhando pela janela do escritório, fazendo hora, enquanto espera o trânsito melhorar. Na verdade, faz hora para não chegar tão cedo em casa. Sabe como é, né? São dois dias. Aumenta o tempo livre, aumenta o silêncio da casa, aumenta o barulho interno... Na sequência, um único pensamento toma contra dela:

“Preciso sair. Sozinha, aqui não fico!”.

Num movimento apressado e desengonçado, em que as mãos mal dão conta de segurar a agenda, ela vai virando páginas e páginas, à procura de um número. Só por curiosidade: Qual número?

Ana, não sabe. Na verdade, pode ser de qualquer um. Serve o primeiro que encontrar, já que tem dúvidas de que, ainda reste alguém em casa, assim como ela.

Poxa, mas Ana é uma pessoa tão querida, tão inteligente, responsável… Será que a companhia de qualquer pessoa é mesmo tão melhor, quanto curtir a sua solidão? Parece que para ela, sim!

Infelizmente, Ana não está sozinha. São muitas as pessoas que se sentem como ela.

O correr dos dias, as exigências no trabalho, as capas das revistas que insistem em que ela atinja um padrão de beleza “desumano”, a falta de tempo para fazer uma atividade física, o “engolir” de qualquer lanche na hora do almoço, faz com que Ana e tantos outros, deixem de lado um detalhe: O tempo para se dedicarem ao próprio coração…; ao exercício do amor, seu maior tesouro.

É justamente naquele silêncio do final de semana que cada uma dessas pessoas, ouve o coração bater. Mas esse bater é tão forte, tão gritante, que precisa ser abafado! Dói por demais estar ali, sem ninguém para socorrer.

A saída? Essa mesma da qual falávamos: Arrumar alguém, seja lá quem for, desde que disponível à fazer o papel de médico, daquele coração tão abandonado. Mesmo que por uma noite... Mesmo que por tão pouco, perto de algo tão valioso.

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