Amanhã, o sol pode levantar mais uma vez para você

Eu acordei, e recebi a notícia... simplesmente, o coração travou. Era uma quarta-feira, dia 30 de dezembro, estava na praia, tranquilo, com alguns parentes. Aquela onda de curtição, onde a maior discussão, girava em torno de qual seria o prato da próxima refeição, os jogos e a diversão.

Para o próximo dia eram esperados mais parentes, meu pai e minha mãe, mas naquela manhã, meu tio me acordou com um olhar nervoso e penetrante. Ao tentar me segurar, soltou: Brunão, seu pai está no hospital. Está internado, passa bem, mas está lá.
Boooooom!!!

Uma bomba explodiu...

E isso, havia acontecido uma única vez: no dia da Kiss e o Vini. Simplesmente o mundo ficou em câmera lenta. A cabeça se fundiu com o coração, e parecia que tudo ou nada eram a mesma coisa. A garganta travou, o raciocínio parou, e eu fiquei tão idiota, quanto nas minhas provas do colégio, quando não estudava. Fora aquele desespero para conseguir sair dali, pegar o ônibus e ir ver meu guerreiro...

Podia te contar da jornada, dos pensamentos, mas a lição aqui é outra.

Felizmente, cheguei rápido à cidade e ao hospital, onde ele estava. Aquele fortão da minha infância, que por várias vezes me carregou no colo pra cama, e que carregou tantas outras coisas pesadas, estava pálido, fraco e preso à tubos... eu olhei pra cima, e perguntei: “Qual é vida? Tu tá de sacanagem...!”

Ele havia pego uma virose muito forte, a qual se agravou, pelo fato de não conseguir comer direito. Isso piorou muito o quadro, provocando um desmaio.

Resumindo, por ter chego ao hospital naquele momento, ele evitou um infarto. E foi por pouco... muito pouco.

Eu estava com medo, e ele assustado. Mas, esse era o meu dia de sentar ao lado daquele, que me cuidou a vida inteira... de ficar ali com ele. Era mais um dia que teríamos!

Ele estava fraco, não conseguia falar muito, tentava dormir, mas as enfermeiras o acordavam, a todo momento. Nisso, ficava eu ali pensando: mais um dia. Eu vou ter mais um dia. Eu quero mais um dia.

Pela primeira vez na vida, vi aquela tal de retrospectiva da Globo, e fiquei apavorado. Como poderíamos ser humanos com tudo aquilo que acontecia? Como eu estava parado?

Meu pai, no pouco que acordou, apenas comentou no momento em que falavam sobre corrupção:

“O problema é quando, as coisas são por dinheiro…”

Ele e seus instantes de sabedoria, força pequena, mas o coração de um gigante, como sempre. E aí é que está...: Onde estão as pessoas que pensam nisso? Que querem fazer a diferença, e não apenas dizem? Ora, eu estava esperando, elas me convocarem, mas ao olhar para o meu pai pensei, se não houvesse o próximo dia.

Assisti ao show do U2. Enquanto as músicas me arrepiavam, eu só pensava em que o Bono era o cara! Era impressionante, o quanto ele conseguia, realmente, agregar e realizar.

Essa foi a deixa. Meu pai mal, mas ainda assim, me ensinando o momento certo de fazer a diferença, e o melhor de tudo. E no dia seguinte, o sol nasceria novamente.

É uma história, de certa forma, impactante, triste e feliz. Mas ela é Free LifeStyle.

Se você sentir que, ao acordar amanhã, você tem mais um dia para fazer algo especial, lembre-se de que ele tem diversas aventuras, possibilidade e sonhos. Só cabe à você ir lá e pegar. Mas isso, apenas se vier o amanhã, pois isso significa, que ainda há mais um dia pela frente.

Compartilhar no Facebook