A história do Free LifeStyle - um estilo de vida único

Tenha em mente que éramos dois moleques, eu (Bruno Perin) e o Vini (Vinicius Montardo Rosado), novos, cheios de energia, assistindo a uma luta de UFC sábado à noite, tomando um uísque e aproveitando um Narguilé. Era uma noite muito quente numa cidade do interior do Rio Grande do Sul.

A euforia era grande pois, praticamente um mês e meio atrás, havíamos combinado com 4 pessoas incríveis que faríamos o carnaval juntos.
Porém, como toda boa e velha história de vários amigos convidados para viajarem juntos e que a maioria acaba desistindo, e nessa sobrou apenas nós dois.

Ficamos muito desanimados na hora, pensativos, até quietos – o que era raro – só olhando as lutas.

Eu comecei a falar sobre o quanto teria sido legal termos ido e que alternativas teríamos, quando o Vini, com aquele jeitão dele de não se importar muito e sempre pensando em seguirmos em frente do jeito que estava, falou:

– Tá, mas se fôssemos só nós dois, como seria? A primeira reação minha foi:
– Acho que seria um pouquinho esquisito, né? Não conhecemos absolutamente ninguém. E ele retrucou:
– Até parece que temos dificuldade para fazermos amizade, né Bruninho? E eu pensei: “é mesmo”. E respondi:
– Não sei por que isso é estranho. Dois caras aparecerem do nada, só eles em um carnaval, que pré-conceito meio bobo, né? Ficar fazendo julgamentos antes mesmo de saber das coisas.

E o Vini:
– Tão bobo quanto não fazer sexo no primeiro encontro. Eu complementei:
– Ou ser feio mulher chegar em homem. – Se aliviar perto dos amigos – disse o Vini, enquanto peidava. Eu, revoltado:
– Essa com você jamais deveria ser permitido. Não é pré-conceito, não é conceito, é uma lei universal na verdade. E começamos a levantar vários pré-conceitos esquisitos que não tinham sentido existir. Como por que não podemos falar que gostamos de alguém logo de cara, por que o aluno sabia menos que o professor... Foi longa a lista, com coisas sérias e outras engraçadas.

Até que eu encerrei, falando:
– Nossa, seria maneiro não ter isso, né? Ser livre.

Ele falou:
– Bruninho, a gente já é, nós dois não seguimos muito o padrão, às vezes até fazemos o que a sociedade espera, e se pensar bem até poderíamos ser ainda mais doidos, mas a maioria está presa mesmo.

Foi quando comentei:
– É quase como um estilo de vida das pessoas que são presas às regras e sensos comuns estranhos e daquelas que perceberam a vida ser única, aproveitando acima de regras bobas. Ou você se diverte agora, ou vai se dar conta depois que deveria ter se divertido, pois as outras pessoas que te julgam hoje, amanhã possivelmente não estarão perto para te incomodar, e muitas vezes elas te incomodam porque queriam estar no seu lugar (esse comentário foi porque eu tinha entrado de bermuda e havaianas em uma boate, todo molhado da piscina rsrsrs).

Vini foi mais a fundo e falou com convicção:
– Cara nós temos um estilo de vida e ele é da hora.

Aí veio o meu lado doido varrido de espalhar as coisas e falei:
– Nós tínhamos que falar para os outros, acho que seria muito mais incrível se as pessoas também não ficassem com tantas frescuras e quisessem focar mais em aproveitar.

O Vini falou:
– Talvez nós não tomaríamos tantos tocos das meninas.

Me matei rindo e, obviamente, me encarnei na ideia:
– Precisamos contar ao mundo, Vini. Mas isso precisaria de um nome. – Para um estilo de vida que pode fazer o que quiser? – Ele falou.

Eu imediatamente argumentei:
– Não, nós não fazemos tudo o que queremos; antes cumprimos nossas responsabilidades, trabalhamos e temos que honrar nossos compromissos, e também não podemos machucar os outros para fazer o que gostamos, mas fora disso estamos livres. O Vini falou que a palavra livre era boa.
Eu falei vida livre em um tom mais agudo, e complementei relatando que parecia que dava a sensação de que estávamos presos. E junto, já acrescentei que talvez fosse esse o sentido.

Vini e a sua genialidade engraçada deram a sugestão:
– Tenta algo em inglês que fica chique e mais aceitável.

Foi quando veio como um raio a tradução – um estilo de vida livre – seria um lifestyle free. Soava legal, mas ainda estava esquisito. E aí surgiu a outra alternativa – Free LifeStyle, eu quase que gritei.

O Vini:
– Nossa, essa palavra dá até tesão. Vou brindar a ela – virando o copo de uísque.

Naquele momento tínhamos uma palavra e uma ideia... O que fazer?
Resolvemos ir para a balada celebrar. Porém, sejamos sinceros, mesmo que não tivesse dado em nada, nós iríamos do mesmo jeito, mas dessa vez estávamos mais empolgados, pois tínhamos um motivo agora. Éramos Free LifeStyle, deveríamos curtir a vida!

Chegando na balada, eu e ele já estávamos meio “animados” de uísque do meu pai e começamos a contar para as pessoas que éramos Free LifeStyle, um estilo de vida que fazia sentido para nós.

E o mais louco é que as pessoas ficavam sempre intrigadas: “Mas o que é isso, como funciona?”. Começávamos sempre falando sobre ser um estilo de vida que busca aproveitar a vida ao máximo, desde que cumprindo nossas responsabilidades, não prejudicando os outros e não deixando pré-conceitos ou essas besteiras de senso comum determinarem nossas ações, nós estamos livres para nos divertimos e aproveitarmos. E sempre dávamos alguns exemplos meio bizarros, as pessoas riam, mas adoravam e começavam a perguntar: “isso é Free LifeStyle, e aquilo?”.

Nós respondíamos como se fôssemos PhD no assunto e ainda emendávamos respostas com mais teorias. Foi uma loucura, passamos a noite inteira falando do conceito para todo mundo.

No outro dia, ao acordar, aquela baita ressaca bateu na mente do dois, e como de costume, fomos ver seriados na minha casa e falar do que tinha acontecido no dia anterior. Começamos a recordar sobre as regras bizarras e frases esquisitas que surgiram – Beber até cair e depois beber deitado (foi de um amigo), meninas boas vão para o céu e as Free LifeStyle vão para qualquer lugar... por aí vai.

Tudo normal até a noite, quando resolvemos sair novamente. Tinha uma balada do lado da nossa casa e lá fomos nós tomar só uma cervejinha. Devíamos aproveitar, mas amanhã ambos trabalharíamos como nunca – era a regra. E a surpresa aconteceu...

Começaram a vir algumas pessoas que tinham nos visto na noite anterior e nos apresentavam para outras – esse é o Bruno e o Vinicius, eles são Free LifeStyle... e o papo começava. Até então vinha outro pessoal, que nunca tínhamos visto e perguntavam sobre o conceito e dizendo que tinham adorado.

Eu e o Vini ficamos meio besta com aquilo, ele para variar mais curtindo o momento e dando muita risada e eu pensando: “precisamos contar isso para o mundo!”. E assim, o Vini comentou:
– Tá bom, Brunão, você sabe que vai achar um jeito de me convencer a entrar nessa e fazer algo maluco contigo, mas agora toma tua cerveja aí e vamos dar risada e inventar mais regras doidas.

Foi muito maluca a noite, voltamos era umas 5h30. E no outro dia, os dois realmente acordaram para trabalhar. Mas levantamos animados, inteiros, não só porque éramos jovens, óbvio, mas porque éramos os Free LifeStyle.

O bacana é que apesar de eu sempre querer fazer impacto e espalhar, as coisas foram acontecendo naturalmente. As pessoas vinham na rua, no Orkut (sim, era aquela época) e em vários lugares conversarem conosco sobre isso, faziam perguntas, nos davam sugestões. Nós criamos então uma comunidade do Free LifeStyle e começamos a divulgar as crenças (algo meio parecido com regra, mas eram umas diretrizes norteadoras), as ideias, as filosofias e o que iríamos fazer.

Aí que a coisa ficou mais estranha. Nas festas começaram a aparecer algumas pessoas que vinham falar estarem lá porque sabiam que nós iríamos e elas estavam querendo ser mais Free Life (era um jeito mais curtinho de dizer que implementamos, pois falávamos várias vezes ao dia). Elas nos contavam várias atitudes super ousadas que tinham feito, e mesmo quando dava errado, nós sempre tentávamos mostrar o lado bom de ter tentado fazer algo, ou o que tinham aprendido.

Chegou o carnaval e lá fomos eu e o Vini, decidimos não viajar para o destino planejado com aqueles nossos amigos, mas achamos a alternativa mais perto, ir para umas cidades vizinhas à nossa. Inscrevemos-nos apenas eu e ele mesmo, mas sabíamos que já no esquenta do bloco encontraríamos alguns conhecidos.

Foi quando entramos no ônibus e muita gente, muita mesmo, começou a falar: “Os guris do FLS!” (Codinome para Free LifeStyle). E acabamos sendo conhecidos por todo mundo antes mesmo de chegar no esquenta.

Eram uns 4 ônibus que iam para esse lugar, e ficamos lá até umas 3h bebendo até ir para a festa de carnaval.

Bom, em resumo, no final de 3 horas do primeiro dia, todas as mais de 250 pessoas do bloco já sabiam que o “Free LifeStyle estava presente no evento”, frase de impacto que criamos aquele dia para dizer que íamos agitar muito.

O carnaval foi intenso, nos divertimos de uma forma indescritível, e as pessoas do bloco, que passavam momentos conosco, também sentiram a mesma coisa. Até que algumas começaram a difundir o conceito pelo lugar e uns provocar aos outros a serem mais Free Life e aproveitarem... A coisa pegou fogo.

Eu e o Vini nos divertíamos muito com isso e as pessoas adoravam as nossas atualizações na comunidade. Sempre nos paravam na rua para ouvir conselhos, como se fôssemos grandes sábios, mas nós só pensávamos como iríamos nos divertir mais sem prejudicar ninguém e magicamente os conselhos saíam.

Foi tudo incrível até que eu comecei a namora. Fiz a mais tradicional burrada de praticamente todos os jovens que se apaixonam perdidamente pela primeira vez e namoram muito sério pela primeira vez – Eu desapareci. Culpa e erro totalmente meus, que não tinha maturidade para lidar com essa situação, apesar da melhor intenção do mundo de ambos.

O Vini, como consequência, também ficou mais de boa, não saía tanto para as baladas, eu, quando ia, acabava não interagindo muito, e até porque não sabia como falar de ser Free LifeStyle se eu não estava sendo. Eu estava longe de seguir o que acreditava, o que queria, tinha praticamente pisado em várias das regras importantes de que amigos devem estar sempre presentes nas piores horas, ou deve-se honrar a cervejinha com os amigos toda a semana e tantas outras...

O Vini ainda fazia bem o papel dele e conversava com as pessoas, mas como eu não estava junto para pirar também, tudo era mais calmo.
Foi um bom tempo isso, até chegar no final do ano e terminar meu namoro. Obviamente, fui recorrer ao Vini, e ele falou:
– Vamos aproveitar ao estilo FLS, tentar nos se divertir da melhor maneira possível, pois sempre há um jeito de deixar o mundo menos triste. – Eu estava todo errado, chateado, mas devia respeitar o desejo dele, até porque eu tinha deixado de ser um excelente amigo, precisava me redimir, ou ao menos tentar.

Fomos nos divertir, beber como nos velhos tempos e falávamos das regras. Eu ouvi os sermões engraçados do Vini e foi tudo muito divertido. Até que veio um cara, do carnaval passado e falou: “E aí, esse ano vocês vão novamente?”.

O Vini me olhou com aquela cara animada pronta para explodir e eu falei que sim. O Vini deu um berro de empolgação, mas quando o cara saiu, eu olhei para ele e falei: – Ok, mas temos que ser FLS, vamos encontrar um carnaval ainda mais doido... Qual que é o mais pesado do RS?

Foram dias intensos de pesquisa e descobrimos que era em Santo Cristo. E agora o processo: como vamos para lá, onde vamos ficar? Eu e o Vini passamos alguns dias tentando dar um jeito e nada.

Até que um amigo meu, o Roger, que adorava o conceito e era o grande filósofo dele por sinal, comentou que queria essa aventura Free Life. No mesmo final de semana, fomos na formatura de uma amiga (Dai) e lá falamos com um dos caras que virou um dos nossos melhores amigos também, o Victor. Ele falou que precisava ser FLS, que estava em um namoro ruim e iria tomar uma decisão sobre isso.

Deu poucos dias, o Victor nos ligou e convidou para tomar uma cerveja, acabamos levando o Roger, que queria saber mais sobre o FLS e a viagem. Quando começamos a contar, ele se empolgou e disse que havia acabado o namoro, queria ir junto e ia levar um cara muito legal, que também virou nosso amigo – o Matt.

Rapidamente começamos a organizar tudo: o Roger descobriu o hotel, o Matt começou a contar para as pessoas sobre o FLS e encontrou um pessoal lá de Santo Cristo, um bloco de meninas, as Strikininas. Elas tinham gostado tanto da nossa ideia e filosofia que resolveram, pela primeira vez em toda a história do bloco, deixar homens participar do seu esquenta e fazer o carnaval junto.

A coisa foi avassaladora, o conceito se espalhou mais rápido que das últimas vezes. Nós chegamos na cidade e uma rádio queria falar conosco. Sim, nós demos uma entrevista sobre o FLS e nossas ideias. Fomos convidados, então, para prestigiarmos um clube da cidade, e chegando lá nos colocaram perto do alto falante para comentar sobre o conceito. Todo mundo queria saber e nos ouvir falar sobre ser Free LifeStyle.


O Free LifeStyle corria em nossas veias

Eu e o Vini não acreditávamos, era muito louco aquilo tudo. O Victor tinha feito camisetas incríveis para nós, um rosa super chamativo que era fácil nos encontrar, e foi o que aconteceu. Éramos apenas 5, mas fomos a sensação do carnaval novamente, todo mundo queria ser e fazer coisas Free Life.

Voltamos com a pilha toda, tínhamos feito história e jamais seríamos esquecidos. Os nossos feitos foram contados na cidade em que morávamos e novamente estávamos em alta. As primeiras duas semanas foram intensas, as pessoas queriam saber o que tínhamos aprontado, queriam ser FLS, nos pediam várias coisas, desde camisetas a criar efetivamente um grupo e por aí vai. Nós não tínhamos ao certo o que faríamos ou como, mas estávamos nos divertindo muito.

Até que... voltei para minha ex-namorada. Eu não sabia lidar com a ideia de duas pessoas que se amavam tanto, mas que eram tão diferentes. Resolvi que deveria tentar novamente...

Os guris mantiveram um pouco a aura viva; eu tentei não cometer tanto os erros do passado e não fiquei tão afastado. Mas, aos poucos, a coisa foi se acalmando, principalmente quando o Vitão começou a namorar. Aí sim, o FLS estava nas escuras novamente.

O Vini era o maior exemplo, mas ele era de boa e ficava agitando nas junções, não espalhava tanto o conceito e ele fazia as maiores loucuras quando provocado. E essa era a minha parte, sair espalhando e inventando um monte de doideras, que ele me dava corda e nós dois fazíamos. Mas, o bocaberta aqui estava anti-FLS, estava preso em um relacionamento não saudável, que visivelmente não dava certo.

O Free LifeStyle acredita que namoro é para ser algo bom, em que duas pessoas consigam despertar o melhor uma da outra, que elas se potencializam.

O meu, infelizmente, não estava assim. Não que não nos esforçávamos para fazer o bem e que éramos maus um com o outro, apenas éramos jovens demais para lidar com nossas crenças diferentes. O que, consequentemente, trazia mais dor e problemas do que alegrias, mas era, de certa forma, acobertada por uma paixão.

Foi um longo período... longo mesmo. Infelizmente, até demais, tudo isso fazia mal a ambos e não estávamos evoluindo como pessoas. ;/

Até que aconteceu o esperado, meu relacionamento terminou novamente - de uma certa forma até tranquila. Eu voltei a sair com o Vini, nos divertíamos igual e tinha o Vitão e vários amigos, porém a filosofia não estava mais tão presente. Não pelo fato de não sermos ousados ou termos atitudes FLS, mas não proclamávamos mais com tanto orgulho ou comentávamos tanto. A coisa boa era que grande parte dos princípios estava enraizado em nós.

O tempo andou, nossas amizades eram cada vez mais fortes e nos divertíamos muito, mas um pouco mais focados em nossas carreiras, e talvez receosos de causar aquele impacto em tanta gente e depois frustrar todo mundo. Pode ser que tenham sido outras coisas... Mas o certo é que o FLS estava hibernando, ao menos no sentido de ser falado sobre.

Eu me mudei para SP e voltava para casa às vezes, onde saía com os meus amigos, principalmente o Vini e o Victor. Fizemos outras amizades maravilhosas, fui fazer um novo carnaval – nesse o Vini não pôde ir – e tentei levar um pouco do espirito FLS, mas eu não estava conseguindo passar a mesma gana, do mesmo jeito, e para completar, fomos roubados no primeiro dia e tivemos que voltar.

Você não pode pensar que estávamos infelizes ou tristes, longe disso. Nossa vida era próxima de um FLS, cumpríamos as responsabilidades, ajudávamos as pessoas, fazíamos coisas ousadas, mas apenas aquela inspiração de se divertir mais, de viver naquele estado de espírito mais vezes não estava ali tão presente – Você poderia pensar que talvez tenha acontecido porque estávamos mais maduros ou com mais responsabilidades. Desculpe, mas isso é balela, era possível sim continuar um FLS a pleno vapor... No entanto, não foi o caso e o tempo correu.

Infelizmente, o pior aconteceu. O dia mais trágico da minha vida e de tantos outros, o dia que abalou o mundo. O incêndio na boate Kiss em Santa Maria. Sim, era essa a nossa cidade, e lá que tínhamos criado tudo isso e vivido nossos áureos tempos.

Eu estava em São Carlos no dia, estava trocando mensagens com o Vini, falando do carnaval, tentando convencê-lo a fazer algo em MG ou SP e a última mensagem foi: “Queridão, sinto sua falta”.

Ele não respondeu, achei que estava agitando muito e aprontando algo. Quando cheguei em casa que o terror começou. A Leticia, uma menina que por ironia do destino virou uma das minhas melhores amigas, ligou para o meu Thomas, um amigo que morava comigo, e contou que tinha pegado fogo e ela tinha saído a tempo, mas a coisa tinha sido feia.

Na hora não tínhamos noção da gravidade, foi quando eu liguei para o Vini atrás de informações e nada. Pessoas começaram a nos ligar e a mandar mensagens e vimos que tinha sido meio sério. Eu conhecia o Vini e a primeira coisa que imaginei é que ele estaria lá ajudando de alguma forma. O Vini, por ser gigante e prestativo, era chamado para auxiliar em tudo que é coisa e ele sempre ia. Podia ser levar um armário às 07h00 de um domingo, ele saia da balada e ia direto, mas não te desapontava, ele era o melhor. Eu pensei: “Ele está ajudando”.

Começamos a saber das informações e nada de ter uma noção completa. Pedi para o meu pai e o Victor irem lá, estava muito nervoso. Foi um tempo depois que o meu mundo desabou, foi quando senti a maior dor que um ser humano pode sentir, nada físico podia superar aquilo, o Vitão me ligou e falou as piores palavras que já entraram no meu ouvido e rasgaram o meu coração: “Perdemos o grandão”.

Eu não tenho como explicar o estado de choque que fiquei, uma sensação de não acreditar, algo tão intenso que parecia que meu corpo iria derreter e explodir. Como assim eu perdi o meu melhor amigo? Como assim o cara indestrutível se foi?

Meu pai, segundos depois me ligou confirmando tudo e eu entrei em pânico. Falei para ele comprar uma passagem, “Eu estou indo para Santa Maria” falei e desliguei o telefone. Minha mãe e meu pai ficaram apavorados, eu saindo naquele estado sem ninguém para me acompanhar. Nunca vou esquecer, simplesmente eu peguei o meu celular, o carregador e sai correndo, com a roupa que estava para dormir, um abrigo e uma camiseta. Corri até a rodoviária, alguns bons quilômetros, chorava cada vez mais forte e corria mais também. Minhas pernas doíam muito, ardiam, pois eu tinha parado de fazer exercícios há tempos. Mas eu só corria mais rápido, não sei por que, nada fazia sentido, eu só precisava chegar lá.

Mensagens e mais mensagens começaram a chegar, desde “Vem pra cá, Bru, estamos precisando de ti”, a consolações pelo Vini. Todo mundo sabia que éramos melhores amigos, daqueles que as pessoas tinham inveja, tamanha a sintonia e harmonia entre ambos.

Era algo indescritível mesmo, nós simplesmente contávamos tudo um para outro, sabíamos quando um estava mentindo, falando a verdade, tentando contar algo chato. Sabíamos que podíamos contar sempre um com o outro, o Vini saía comigo mesmo quando estava super doente, só porque eu achava que a festa ia ser muito legal e ele queria estar presente, e eu fazia o mesmo. Podia chegar a hora que fosse e ligarmos um para o outro, sempre atendíamos. Se ficávamos chateados, logo um já brincava e resolvíamos sempre tirando onda. Nós sabíamos o que um estava pensando só no olhar, entendia as deixas para fugir de algo. Sério, não tinha nada que não podíamos contar um com o outro, e sabíamos que seria assim para a vida toda. Mesmo longe, em São Paulo, ele era a pessoa que eu mais falava, e com ele era a mesma coisa.

Eu corria irritado – como assim eu perdi o meu melhor amigo?

Cheguei na rodoviária e estava saindo um ônibus, para a minha sorte o Thomas tinha colocado a carteira no meu bolso, comprei a passagem e sentei no fundo. Chorei de uma forma que não sabia que era possível, as exatas 3 horas e 40 minutos de viagem foram assim, indignado, triste e recebendo mensagens. Eu não tinha força para responder.

Cheguei em São Paulo e corri pelo metrô para ir até o Tatuapé pegar um ônibus, cada vez mais veloz. Atropelava as pessoas, corria como se fosse a final das olimpíadas, mas sem sentido nenhum.

Outro ônibus e outros 40 minutos de choro. Cheguei no aeroporto e quando vi a aeromoça da TAM, parei na frente dela para tentar explicar que precisava estar no voo e meu pai tinha comprado a passagem, mas simplesmente caí de joelhos e desabei. Berrei de um jeito que minha alma transparecia, as pessoas do aeroporto tomaram um susto, foi quando ela entendeu as palavras: acidente, Santa Maria, perdi meu melhor amigo.

A mulher foi incrível, ela pegou minha identidade, levou-me para uma salinha de saúde e lá o pessoal cuidou de mim, deram-me uma injeção para o estado de pânico que eu estava. Porém, nem aquilo me parou, eu chorava muito e urrava de raiva.

Fazia uma semana que eu estava lá com ele, falando da vida, de que como tinham pessoas que não aproveitavam tanto, como nós dois conseguíamos degustar verdadeiramente de viver. Éramos FLS, só não estávamos ajudando os outros a serem também. Foi na minha sacada essa conversa, apenas uma semana antes do acidente, às 06h30 da manhã, após uma festa justamente na Kiss.

O pessoal da TAM teve que me levar de cadeira de rodas para o avião, embarcar-me primeiro e colocar uma aeromoça para cuidar de mim o tempo inteiro. Sério gente, foi simplesmente incrível o atendimento deles, queria deixar isso muito claro, pois foi uma lição de humanidade e prestação de serviço.

Cheguei em Porto Alegre e fui direto para a rodoviária, outro ônibus de 4 horas, desta vez com choro e olhares vazios, pois meu corpo estava exausto do choque, lágrimas, vacina e mais de 36 horas acordado.
Chegando em Santa Maria, meus pais me pegaram e me levaram para casa, contra minha vontade, para eu tomar um banho e trocar de roupa. Levaram-me ao velório. Quando eu vi a família dele lá, Seu Ogier, Tia Lika e a Titica (pai, mãe e irmã), junto dos tios e parentes todos que eu conhecia e tinha como minha própria família, a comoção foi forte. Aos poucos chegavam os amigos, e mais amigos e mais amigos... Tinha 4 velórios no dia, mas tudo foi tomado pelo Vini, era um mundo de gente.

Algo muito forte foi quando me deram a camiseta dele do Free LifeStyle, “Ele iria querer que estivesse contigo numa hora dessas” me disse a Titica.

Eu vesti ela, parecia um vestido em mim, e assim fiquei. Começaram a chegar os repórteres, que logo queriam saber a história do Vini, pois descobriram que ele tinha salvo 14 pessoas. Sim, meu amigo era um grande herói, descobrimos que ele tinha saído vivo e ileso, mas voltou para dentro da boate em chamas para tirar as pessoas de lá, todos contavam um pouquinho do que viram, um cara gigante que não parava de tirar gente de lá de dentro, até que uma hora não voltou.

Até o último minuto, a melhor pessoa que já conheci foi SENSACIONAL. Eu não podia estar mais orgulhoso e ao mesmo tempo bravo, porque ele não parou quando dava e se salvou. Não tinha jeito, ele era assim, não iria se perdoar se não ajudasse até o seu limite. Ele nasceu para fazer do mundo um lugar melhor...

A galera pedia para eu e a Titica falar com os jornais, pois ela era a irmã e eu era a pessoa que mais tinha convivido com ele nos últimos 9 anos. Nós éramos melhores amigos e passávamos a maior parte do tempo juntos, mais até do que com as nossas próprias famílias.

Eu não consegui dormir um segundo, não podia, não queria. Às vezes as pessoas ali se escondiam no canto para chorar, acabavam caindo um pouco no sono devido à exaustão. Mas eu estava lá, atento, implacável, como se precisasse ser um vigilante. A família dele estava ali, os amigos, eu precisava estar a postos para o que precisasse. Na verdade, eu era o que eu pensava, talvez era um dos mais inconsoláveis e queria fazer algo útil.

A noite inteira chegavam pessoas, Santa Maria não dormiu por muito tempo, mas aquela foi a segunda noite mais longa da sua história, perdeu só para a anterior. Eram ambulâncias, pessoas que morriam e outras que se recuperavam, parecia uma guerra que não tínhamos lutado.

O dia amanheceu e foi surreal a quantidade de gente que tinha lá para ver a cerimônia do Vini. Acho que nem em dia de clássicos no estádio ou nos maiores eventos tinha tanta gente. Foi quando aquela convicção que eu sempre tive se mostrou límpida bem na minha frente. Não tinha ninguém mais querido nesse mundo que o grandão, foi a única pessoa que eu conheci, na minha vida inteira, que todo mundo gostava. Alguns até podiam, no início, ficar meio bravos, porque o Vini tirava onda, mas logo todo mundo sedia ao seu charme e palhaçadas.

O pai dele me colocou na frente do caixão, eu segurei como se nada fosse mais importante, e naquele momento começou a caminhada... foram exatos 87 passos, 87 facadas, 87 histórias, 87 anos, 87 promessas de explodir o mundo, 87 orgulhos, 87 piadas, 87... esse foi o número de passos que dei carregando o caixão e sentindo a maior dor e orgulho que alguém poderia ter.

Chegamos lá e era o momento do Adeus. Eu estava perto dos meus pais quando o Seu Ogier me pediu para dizer as últimas palavras antes de finalizarmos a cerimônia. Eu olhei para toda aquela multidão de pessoas, tirei a camiseta do FLS e falei:


– O Vinicius foi o maior Free LifeStyle de todos os tempos! – em um tom alto, forte e seguro. Mas as palavras ficaram mais suaves, a emoção era complemente dona do meu corpo, eu não conseguia respirar, veio um tapinha nas costas e continuei:

– Para quem não sabe, essa foi uma filosofia de vida que criamos juntos, eu e ele. Dizia que tínhamos que nos divertir pois não sabíamos do amanhã. A vida tinha tantos pré-conceitos, tantas regras tolas que às vezes nos impediam de ser verdadeiramente alegres e viver as melhores experiências. Nós não queríamos aceitar aquilo, nós queríamos ousar e que as pessoas nos vissem como aqueles que sabiam viver. Eu sei, podia parecer um tanto filosófico, ou até pretensioso achar que os outros não sabiam viver, mas nós queríamos mostrar que éramos livres de uma maneira diferente. – O ar me faltou novamente, mas eu precisava continuar, e respirando profundamente, prossegui – Muitas pessoas consideravam a vida ser um palco, um show, e lá estávamos nós, na ilustre presença do melhor ator que possivelmente todos nós conhecemos, o cara que mais soube aproveitar ela. E até nos últimos momentos estava aproveitando e depois fazendo o que era certo, sendo o herói de 14 pessoas que puderam continuar aqui, no palco, escrevendo sua história, mas duvido que alguma seja tão bela quanto essa... Simplesmente, ele foi o maior Free LifeStyle de todos os tempos.


Os aplausos foram calorosos aos talentos do Vini, não eram as minhas palavras, era o reconhecimento ao cara que foi livre para viver. O pai dele me abraçou e falou o quanto ele me amava, o quanto a vida dele tinha sido especial nos últimos tempos pela amizade que tivemos; e que mesmo eu tendo roubado ele tanto tempo da família (tentando rir), ele sabia que o filho dele foi tão feliz quanto eu descrevi, e isso o deixava em paz.

Eu coloquei a camiseta em cima do caixão, fechamos e fomos embora, tentando todos contar histórias legais dele, eram tantas. Começamos a nos cobrar que o Vini ficaria furioso com aquela choradeira toda, ele iria querer piadas, risos, brincadeiras e foi o que tentamos fazer com muita dificuldade.

Alguns dias depois, eu escrevi um texto contando um pouco disso que você leu agora e fiz uma promessa: eu vou honrar o seu jeito de ser Free LifeStyle pela vida toda, vou colocar uma dedicatória a você no livro que estava escrevendo e tinha seu apoio, vou colocar seu nome no meu primeiro filho e vou contar a sua mensagem para o mundo.

Foi mais terrível do que você consegue imaginar, seguir a vida, querer explicações, respirar. Eu me mantive sempre próximo da família do Vini, até hoje, por sinal. Falei sobre ele em muitas palestras, vídeos, mensagens, com várias pessoas que conheci – sério, eu tenho o maior orgulho do mundo de ter sido amigo do Vinicius Montardo Rosado. Até brinco que não conheci Gandhi, mas conheci o Vini e ele era tão importante quanto.

Fui fazer um carnaval em um lugar que ele queria ir e passei o tempo inteiro com uma camiseta que tinha a foto dele, para mostrar que a história continuava. Fui para o Canadá e em todos os locais legais que visitava, levava a camiseta e tirava foto. Uma galera da cidade amava a história e sempre era cordial em me ajudar a tirar boas recordações para eu mandar para a família dele. O Vini estava comigo sempre e eu precisava continuar a viver uma vida incrível, ser um FLS, era a minha missão.

Sinceramente e infelizmente, eu comecei a falhar um pouco, dessa vez pelo trabalho. Amei poder ajudar o mundo com minhas ideias sobre empreendedorismo, startups, marketing, neurociência. Minha missão tornou-se ajudar jovens talentos e empresas a fazerem a diferença, eu queria causar muito impacto. Alcancei coisas inacreditáveis, mas não é isso que importa aqui, o final e início dessa história é que eu falhei, eu me fechei mais para o mundo, essa era a verdade.

Não fiz mais tantos amigos, queria só trabalhar para fazer a diferença. Mas não estava aproveitando a vida, várias vezes me fechei e me emburrei. Fiquei até com pena de mim mesmo. Não quis procurar as pessoas e passei a preferir estar em casa, só, do que inventar algo com os amigos. Claro que eu gosto de ler e ver seriado sozinho, mas a coisa era em exagero, eu estava querendo deixar de sair para ficar fazendo isso. O certo é que a única coisa que me fazia sair para me divertir com os amigos era assistir UFC no Combate.

Mas a vida é uma caixa de surpresas e você vai começar a descobrir agora, por que está aqui. Foi no último carnaval, em Ferrugem – que por acaso estava uma porcaria – que conversando com uma das minhas melhores amigas, a Leticia (lembra dela?), eu comentei não estar aproveitando, porque algo não estava completo, algo estava muito errado. Apesar de tanta coisa legal que eu vinha fazendo pelo meu país, por tanta gente, tinha uma sensação amarga ainda dentro de mim. Conversei com o Christian, um amigão que foi apresentado pelo Vini e se transformou em alguém fundamental na minha vida também, falamos sobre ele e sobre como ele aproveitava tudo. Mas foi o Henrique, um dos poucos amigos que fiz nos últimos tempos que comentou:

– Brunão, você precisa ensinar o FLS, e até usá-lo mais para aproveitarmos.

Logo depois, antes de voltar a SP, fui ver os meus pais em Floripa e fiz uma viagem com o Christian. Foi show de bola, nós dois no carro contando histórias nossas e do grandão, aquilo me trouxe uma paz, algo que eu precisava, mas não entendia ainda o quanto.

Esses detalhes entraram em mim de leve e foram ganhando força aos poucos. No entanto, a vida começou a conspirar rápido. Recebi a notícia da editora que meu livro "A Revolução das Startups" seria publicado, comecei a escrevê-lo e botei a vida nele. Não era o mesmo que estava escrevendo na época que o Vini tinha falecido, mas era um que podia gerar ainda mais impacto, e eu fiquei feliz. Quando terminei de escrever, uns dois meses depois, chegou a hora de mandar para a editora e fazer meu pedido mais importante: a homenagem deve ser para o Vini. O designer, muito querido e coautor do livro, Amaury, quis fazer um novo desenho, especial para o livro, apesar do que tinha colocado lá, um ótimo que o Matt tinha feito.

Quando eu vi o desenho finalizado pelo Amaury eu me emocionei, mandei para a família do Vini e eles também adoraram.

Lá estava eu cumprindo a minha palavra, honrando o Vini. Senti-me maravilhoso, mas ainda não 100%. Alguns dias se passaram e apesar de feliz e só esperar o livro ser publicado, algo estava faltando.

A vida estava rápida e resolveu agir prontamente. Eu aceitei sair com o Henrique para tomar uma cerveja, coisa que não fazia desde o início do ano. E no meio da conversa ele comentou que o nosso amigo Stabile, tinha feito um blog para a mãe dele e que aquilo estava ajudando muita gente, era ótimo.

Eu lembrei do site do livro e do Startup Crazy, uma ideia nova que tinha lançado há pouco para fomentar o empreendedorismo de um jeito doido e pensei: vou falar com o Stabile. Liguei para ele e comentei do meu interesse, além de super paciente e parceiro, sua percepção era que poderíamos fazer, mas o que achava mais interessante era falar algo sobre estilo de vida, tipo o Free LifeStyle que eu tinha contado para ele um tempo atrás. O Stabile finalizou falando: “O mundo iria querer saber sobre o FLS”.

Eu fiquei tenso, meio nervoso e falei que achava ser possível, mas iria pensar. Pouco tempo depois, combinamos de falar mais, íamos ver futebol, tomar uma cerveja e discutir isso. Chegou o dia, eu estava tranquilo, brincando com ele sobre o FLS e ideias doidas, quando ele traz o computador, abre e diz: “você precisa ver algo”.

E lá estava esse site que você chegou agora, ele estava lindo com aquela capa que você viu na entrada. Porém, quase como um raio que atingiu a minha cabeça, um momento daqueles de filme, que você compreende muita coisa – algo começou a fazer sentido.

Eu estou assim porque parei de ser efetivamente um FLS. Tenho uma vida bacana, brinco, respeito as pessoas, faço coisas bem ousadas, mas não com intensidade de viver e aproveitar a vida como é com os Free LifeStyle, a coisa era diferente, mais especial, intensa e alegre.

Eu estava animado e nervoso, pois não gosto muito de falar de mim, teria que colocar muitas coisas pessoais aqui. Eu, que gosto de falar de ideias e ensinar sobre outros temas, passar um conceito de vida, em um blog, não era algo confortável.

Voltei para casa pensando que precisava voltar a ser um FLS, animado com o que poderia acontecer, mas com um pouco de receio ainda. Foi quando li a história que tinha escrito e no final o meu juramento sobre levar a mensagem do Vini para o mundo. E qual era a mensagem dele? Ser um grande Free LifeStyle.


Me dei conta que o vazio dentro de mim era tanto de não estar cumprindo especificamente com a minha palavra, porque eu sou um FLS, quanto de ter deixado aquilo se apagar em mim. Agora, com o dever de escrever todos os dias sobre como ser um, vou ter que voltar às raízes e viver cada dia como se fosse o último. Despertar esse Free Life em mim e em tantas pessoas que querem essa liberdade, esse jeito especial de viver.

As pessoas estão mais sozinhas, as amizades estão mais rasas, o aproveitar passou a ser mais superficial e de aparecimento, mas na realidade estamos mais sozinhos e sabemos disso ao deitar a cabeça no travesseiro. O meu compromisso, que antes era com o Vini, agora é com o mundo também.

Mas não quero fazer isso sozinho, o FLS, como você viu, sempre foi de amigos, conexões, amores, histórias e tantas coisas incríveis. Eu preciso da sua ajuda, de viver intensamente, compartilhar suas ideias, espalhar isso pelo mundo, aprender mais um pouco, compartilhar mais... Ajude-me a voltar a ser um FLS, eu também quero lhe ajudar. Ajude-me a fomentar esse conceito para tantas pessoas que precisam de um sentido meio doido e especial como esse.

Aqui é o nosso lugar, e desta vez ele vai ficar forte e vivo até meu último suspiro, esse é o juramento mais sério que já fiz na minha vida. Bem-vindo ao Free LifeStyle!
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